• Luiz Tolentino

Uso do canabidiol para alívio de dores no skate

Substância extraída da folha da maconha, o canabidiol revolucionou o tratamento de doenças como a epilepsia e outras síndromes que afetam o sistema nervoso central. Mesmo sabendo que o CBD, sigla pela qual é mais conhecido o composto, não tem efeito psicotrópico — quem faz isso é o THC, outro substrato da cannabis — e não é viciante, ainda há quem ofereça resistência aos seus supostos benefícios (sim, é consenso a necessidade de estudar mais a fundo todos os seus efeitos no corpo humano). Nos Estados Unidos, porém, já é possível comprar (sem receita médica) diversos produtos à base de CBD. São óleos, cremes e balas comestíveis, cujas propriedades terapêuticas podem abarcar uma série de problemas de saúde, entre eles a dor crônica e inflamações.


Bob Burnquist inicia movimento pela legalização da maconha no esporte


Utilizando ativamente suas redes sociais para falar sobre o tema, Bob vem reforçando que a erva Cannabis possui propriedades analgésicas, que poderiam ser utilizadas no tratamento de dores crônicas e lesões. Bob afirma: "Já quebrei mais de quarenta ossos do corpo. Se ainda hoje estou competindo, aos 43 anos, é por causa do tratamento que faço à base de plantas”


Para a Agência Mundial Antidoping – Wada, na sigla em inglês – a questão não é tão simples e a Cannabis segue sem previsão de sair da lista proibitiva do esporte, tema que tem ganhado destaque com a estreia do skate e do surf nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021.


No Brasil, o que acontece é um paradoxo, pois a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) segue a lista da Wada; porém o CBD é permitido aqui apenas para fins medicinais, mediante receita médica, não tendo uso previsto aos atletas. Já produtos com THC superior a 0,2% só poderão ser prescritos a pacientes terminais ou esgotadas as alternativas terapêuticas.


O tema rapidamente ganhou exemplos práticos no Brasil. Em janeiro de 2018, assim que passou a ser regido pelas regras do Comitê Olímpico Brasileiro (COI) e da Wada, o skate brasileiro já precisou lidar com o primeiro tombo. No festival Vert Jam, realizado em Itajaí (SC), os atletas foram submetidos a testes antidoping realizados pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD) durante uma festa, em banheiro improvisado. Em um dos exames, Pedro Barros, integrante da seleção brasileira e campeão da primeira edição do mundial de Skate Park realizada conjuntamente pela World Skate e pelo Comitê Olímpico Internacional, em 2018, foi flagrado com derivado de maconha na urina. Pedro foi reprovado por uso de derivado de maconha, No fim do ano, no Prêmio Brasil Olímpico, Pedrinho admitiu o uso recreativo da erva, mas frisou que pretende se adaptar às regras estabelecidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).


Não só no skate


A jogadora de futebol dos Estados Unidos Megan Rapinoe, bicampeã do mundo, usa. A lenda do golfe Tiger Woods, dizem os colegas, masca chicletes que contêm canabidiol.


O UFC, maior organização de artes marciais mistas do mundo, anunciou uma parceria global com uma gigante canadense da Cannabis para desenvolver pesquisas e medicamentos derivados da planta na recuperação de atletas. A liga de futebol americano (NFL) também decidiu investir em pesquisas com o canabidiol depois de ver muitos de seus atletas se aposentarem antes dos 30 por conta das insuportáveis lesões causadas em campo.